sábado, 23 de outubro de 2010

Yo no creo, pero que las hai...

Gostava de contar a história. Repetia-a para os filhos, para os netos, para as visitas. Apesar dos oitenta anos não esquecia detalhes. A bruxa existia, sim, ela mesma a vira. O pai e a mãe também. Teria talvez uns doze anos, idade suficiente para saber que não sonhava, viu mesmo! Foi quando nasceu o menino, seria o quinto, irmãs tinha já três. Moravam em Taquari, terra da laranja. A cidade era pequena. A rua de chão batido de terra vermelha era ladeada por casas simples, de madeira, algumas um pouco melhores, outras feitas de remendos, poucas vistosas. Como em qualquer cidade pequena todos se conheciam e por isso mesmo tudo se comentava.
Quase na frente da sua casa morava uma vizinha que competia com Seu Pedro e Dona Manuela em número de filhos. Sabe como é, naquele tempo não tinha pílula, comentava Vó Virgínia. Sete meninas. Não se deveria ter sete filhos do mesmo sexo. O primeiro ou o último seria bruxo, ou bruxa como no caso das filhas da vizinha. Era a fala do povo.
O irmão teria uma semana de vida quando ao anoitecer ouviram todos um tropel, gritaria e gargalhadas vindas da rua. O barulho era anormal. Correram todos. Vó Virgínia, o pai Pedro e a mãe Manuela com o pequeno nos braços. Foram à janela olhar o que havia lá fora. Os cães latiam endemoniados, a lua cheia clareava já os telhados iluminando tudo, inclusive aquela figura de mulher montada sobre um cavalo, cabeleira arrepiada, roupas esvoaçantes, gargalhava e a galope sumiu no fim da rua.
O que teria sido aquilo? Quem seria a horrenda criatura? Um arrepio perpassou todos que viram a cena. Em choque, assustados fecharam a janela sem acreditar no que viram. Mas, a noite não foi de sossego não, porque o menino não dormiu. Chorou a noite toda, a semana toda, não quis mais comer, entrecruzou aos poucos os bracinhos e as pernas. Foi levado a uma benzedeira. Este menino está embruxado. Precisa ser batizado. Mas o padre não quis batizar não, porque primeiro tinham ido na benzedeira. Seu Pedro e Dona Manuela e mais todos ficaram atônitos, consternados, culpados até... o menino poderia morrer... por favor seu padre! Nada. E o menino definhou...definhou...finou-se sem ser batizado.
O acontecido foi comentado em todos os cantos e recantos do bairro e a sétima filha da vizinha passou a ser apontada na rua, ou seria a primeira? Isto vó Virgínia não seberia dizer.

2 comentários:

  1. Aos 20 anos de vida, estive em Taquari, fui com amigos acampar e vizitar familiares de uma amiga, e imagine... a casa dela, antigaaaa, com o teto alto, modesta, mas enorme, a rua completamente de terra vermelha, tu achas que perguntei a alguem se conheciam a história que sempre escutei minha avó contar????????
    rsrsrsrs
    ja foi dificil dormir lá!!!!!
    rsrsrsrs

    amei teu blog tiaaaa...
    beijãooo

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  2. Ok. Danni. Eu não sabia que a terra era vermelha, isto foi pura intuição. las bruxas... las hai...

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