segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A casa tomada

Foi quando a levaram depois de tantas idas e vindas, definitivamente, para o hospício. Por que para o hospício? Porque as clínicas particulares eram caras. Não dá mais para pagar, falava o pai. A Tita ficou com a avó, a Lili, tão bonitinha, foi escolhida pela tia Carmela, e Maria ficou por ali, feito cão sem lugar. Dormia e fazia as refeições na pensão do tio Ângelo, junto com seu pai. Naquele primeiro dia foi estranho. Depois do almoço quis voltar pra casa. Foi até lá, ficava perto. A porta entreaberta. Faltavam algumas coisas. Onde estava a máquina de costura da mãe? Todos os dias faltavam coisas, todos os dias retornava para olhar a casa... Seu pai não respondia às perguntas angustiadas. Um dia desses eles estavam lá. Pessoas estranhas estavam morando lá? Ficou perambulando no entorno. Depois, correu para avisar o pai. Ele já sabia. Sua mãe não voltaria? Maria conheceu a sensação de ter sido tomada, sua casa, sua vida.

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