"A Arte precisa ou de solidão, ou da miséria, ou da paixão. É uma flor de rocha que exige um vento áspero e rude." (Alexandre Dumas Filho)
sexta-feira, 16 de abril de 2010
A origem da mulher
Conta a lenda que a Terra era povoada apenas pela sua vasta vegetação, por animais os mais variados de que se tem notícias e pelos homens. Foi quando pequenas larvas pareciam brotar do tronco de determinadas árvores, as mais fortes e altaneiras somente. Agarradas aos troncos iam tecendo um pequeno casulo, que com o passar do tempo agigantou-se, continuando a crescer. Dentro do casulo ia ocorrendo uma transformação. Não era mais uma larva, mas uma borboleta enorme, com lindas asas transparentes. Mais um tempo e a borboleta foi ganhando contornos, pernas, braços, um lindo rosto com olhos curiosos e sábios e uma farta cabeleira, às vezes negra, às vezes ruiva ou loura. A mulher surgia assim, andrógina, alada, através de um casulo que ela mesma tecera. Encerrava em si mesma qualidades como a fortaleza e a lógica, porém com uma profunda sensibilidade e sabedoria, que havia adquirido através do seu contato com a natureza e com aqueles acolhedores troncos. E por ser alada e ter sido gerada em uma frondosa árvore, seus primeiros diálogos foram estabelecidos com os pássaros. Entendia-se bastante bem com as araras coloridas e com as caturritas tagarelas, porém não deixava de sensibilizar-se com o canto mavioso do rouxinol. Vem daí algumas características que até hoje possui. Assim que se libertou do casulo procurou estas aves companheiras. O que é isto? Perguntou para as caturritas, apontando uma pequena fruta. Coma é uma pitanga! Assim a mulher foi descobrindo como se alimentar. Ensina-me a cantar, pediu ao rouxinol e passou a emitir sons cada vez mais afinados. As araras davam-lhe as penas coloridas que vez por outra caiam de sua plumagem. E a mulher enfeitou-se. Como era um ser andrógino, de 7 em 7 anos gerava outro ser igual a si mesma, que crescia e transformava-se em uma outra linda mulher. Viviam assim em clã. Um dia encontrou o homem. Algo estranho aconteceu. Inexplicavelmente foi atraída pela luz daqueles olhos estranhos. Arrepiou-se. Ficou cativa, porque a mulher tem destas coisas, quando descobre o amor. Novos processos ocorreram e seu corpo transformou-se. Porém o homem, que não havia sido criado no tronco das acolhedoras árvores, nem havia estabelecido este contato tão íntimo com o gorjeio dos pássaros, acostumado a dominar tudo que possuía, achou por bem exercer seu domínio sobre aquela mulher que o cativara tanto. Foi quando, pouco a pouco, a mulher perdeu sua androginia e suas asas. Esta é a mulher que sobrevive hoje, lutando para voar e dependente para procriar. Que sina!
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